4 dicas de como usar reverb em mixagens ao vivo

Criar o espaço artificial ideal na sua mixagem sem obscurecer instrumentos ou mascarar os vocais é uma forma de arte por si só e não é tão simples.

Vamos entender…

No mundo ao vivo, há o problema de como o reverb interage com superfícies refletivas no espaço acústico que você está mixando, causando um caos completo.

Lembre-se, a maior parte das arenas e estádios não foram construídos para ter shows de rock ou algo do tipo.

Eles foram construídos (por engenheiros acústicos) para soarem grandes quando a sala estiver cheia com a torcida. Eles querem que a sala vibre quando 15.000 pessoas estiverem torcendo para seu time favorito.

Mas, assim que nós aparecemos e tentamos colocar um show de rock nesse ambiente, as coisas começam a ficar complicadas.

Para ser honesto, as construções mais novas estão levando isso em conta colocando painéis de tratamento acústico que podem ser removidos, dependendo de qual é programação daquela arena, mas mesmo assim é uma luta contra os acrílicos, assentos de plástico e pisos de concreto.

Por que usar reverb?

A alternativa de não usar reverb, deixará você com uma mix tediosa e sem emoção. Sem a profundidade que o reverb artificial dá em suas mixes, nós perderíamos inteligibilidade em nossas mixes.

Por que? Porque o ouvido humano é usado para ouvir reflexões espaciais causadas por uma voz (ou uma bateria, ou uma guitarra) em uma sala.

Nosso mundo não é uma câmara anecóica! Uma voz microfonada sem reverb não soa natural.

Então, como usamos o reverb em um vocal sem fazer com que sua mixagem de alta energia soe horrível dentro do espaço acústico? Com certeza, fazendo um bom nivelamento.

Aqui estão algumas regras gerais que eu sigo na maioria dos reverbs que eu uso para minhas mixagens ao vivo.

1 – O Pré Delay é seu amigo

Pré-delay é o tempo de atraso entre o input do sinal e a primeira ocorrência de reverb. O pré-delay acontece na natureza, mas usualmente não com tempos dos quais estou falando aqui.

Eu uso tempos longos de pré-delay de modo a separar o sinal e o reverb, para ter certeza que eles permaneçam em suas ocorrências distintas audíveis. Eu geralmente uso de 40 a 80 milissegundos de pré-delay em cada reverb que uso.

Eu acho que isso em um espaço inteligível ajuda a manter a profundidade do reverb sem mascarar o sinal original.

2 – Tempo de Reverb curto também é seu amigo

Às vezes nos deparamos em um espaço acústico que já tem um reverb longo (1, 2, 4 segundos, ou até mais). Adicionar mais reverb a esse espaço não vai ajudar.

Usar reverbs com tempos relativamente curtos pode criar profundidade sem sujar sua mix. Eu geralmente uso tempos de reverb de 1 a 2 segundos.

Agora, lembre-se, estamos usando longos tempos de pré-delay aqui. Então, com pré-delay longo e uma trilha de 2 segundos de reverb, nós estamos na verdade falando de quase 3 segundos completos antes da trilha do reverb terminar.

Isso é uma eternidade em uma música mais rápida! Então, para coisas que são rápidas, eu devo usar 800 milissegundos (0.8 segundos) do parâmetro “reverb time” em um reverb artificial.

3 – O tipo do reverb faz diferença

O tipo do reverb que eu uso depende de qual instrumento que eu pretendo usá-lo.

Eu gosto do som dos programas “hall” na maioria dos reverbs artificias. O H-Reverb tem alguns “hall” que soam incríveis.

H-Reverb

A coisa mais difícil que um fabricante tem que fazer quando está criando um reverb artificial é eliminar o “desmembramento” que acontece na extremidade final de um reverb.

Há muitas razões técnicas (que eu não vou te aborrecer com isso) do porque isso acontece, mas vamos apenas dizer que não é algo fácil consertar.

O desmembramento é também a primeira coisa que eu percebo quando eu estou ouvindo um reverb artificial. Por que? Porque isso não acontece na realidade.

Reverb acústico não desmembra na extremidade. Ele vai rolando suavemente por todo caminho até o ruído de piso. O desmembramento me deixa louco.

Alguns reverbs artificiais performam melhores do que outros. Felizmente, o H-Reverb se sai muito bem. Na verdade, ele permite que você molde e customize o decay do reverb.

Porém, há outros tipos de reverbs onde o desmembramento é mais perceptível, apenas em virtude do que eles são. Eu costumo fugir dos reverbs de plate, ou mesmo de alguma modelagem de espaço acústico de reverb de convolução.

Para mim o desmembramento é estranho em alguns desses modelos. No fim, o tipo de reverb é uma preferência pessoal, mas o que você vai escolher tem sua importância.

4 – Use mais de um reverb em um instrumento para criar espaço

Uma bateria é um instrumento completo compilado em um monte de peças individuais.

Engenheiros de som me deixam louco ao posicionarem microfones de bateria muito próximos e então super enfatizam peças particulares em relação ao kit todo.

Sinfonia para bumbo não é o resultado ideal. Eu prefiro que a bateria soe como se eu estivesse de frente dela.

Uma das coisas que eu faço quando eu começo a trabalhar com uma banda é pedir para o baterista para tocar. Então eu fico de frente para a bateria e presto atenção em como ele toca.

A caixa está mais alta que o resto do kit? Quando ele toca os tons, ele super enfatiza, ou ele coloca no meio da mix do kit todo? Então eu tento replicar isso no P.A.

Um exemplo real de utilização de dois reverbs no mesmo instrumento

Eu trabalhei com Van Halen alguns anos atrás (embora brevemente), e uma das coisas que eu tive muito respeito foi quando, logo no primeiro dia de ensaios, Eddie Van Halen ouviu minha mixagem da bateria do seu irmão Alex, atentamente.

Alex Van Halen

Depois de um tempo, ele me fez ir ao palco com ele. Ele fez o Alex tocar novamente com a gente de frente para a bateria, e ele perguntou: “você escuta aquela caixa? Você está ouvindo como ressoa quando você está aqui? Você não está colocando isso no P.A.!”

Ele estava certo. Ele tem ouvidos incríveis, e ele soube de longe o que estava errado com minha mixagem de bateria.

Como eu consertei? Eu tinha originalmente usado um reverb para toda a bateria, do qual eu mandei o bumbo, a caixa e os tons para criar um espaço acústico.

Mas depois de ter ido ao palco com Alex e o Eddie, eu adicionei um segundo reverb apenas na caixa, com um pré-delay de 40 ms e um tempo de reverb curto de 800ms.

Eu equalizei esse reverb para ter as mesmas características ressonantes que o Eddie estava ouvindo na caixa quando estava de frente para o kit. Assim que eu fiz aquilo, ele disse: “É ISSO! Você entendeu.”

Eu estava satisfeito com o resultado. Depois, eu refleti do porque aquilo havia funcionado. Em um espaço acústico, a caixa é usualmente mais alta que o resto do kit.

Ela excita a sala de forma diferente do resto do kit. Simplesmente equalizando a caixa diferentemente ou mandando a caixa para o reverb da bateria principal não vai ter o mesmo efeito.

Daquele dia em diante eu tenho usado dois tipos diferentes de reverb na bateria para cada cliente que eu tenho trabalhado. Parece ter funcionado bem. Tente e veja o que você acha.

Espero que algumas das coisas que eu compartilhei com você nesse artigo acertem o alvo.

Quando você colocar as mãos em um H-Reverb, confiram os meus presets que estão inclusos no plug-in. Não esqueça de usar reverb.

É importante, e quando de forma adequada, é a diferença entre uma mixagem OK e uma mixagem surpreendente que vai tirar o fôlego de todos.


Ken Van Dutren “Pooch” é engenheiro F.O.H. (Front of House, “P.A.”) com mais de 27 anos de experiência. Dentre as principais bandas que mixou ao vivo, estão Iron Maiden, Linkin Park, Justin Bieber, Jay-Z, Guns N’ Roses e KISS. Confira mais artigos de Ken pooch aqui.

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5 comentários em “4 dicas de como usar reverb em mixagens ao vivo

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