Usando plugins em vocais para mixagens ao vivo

Para começar, é preciso enfatizar que o vocal é a parte mais importante da sua mix e, portanto, deveria ser o foco inicial para qualquer boa mixagem. Nesse artigo vamos entender como usar plugins em vocais para mixagens ao vivo. Acompanhe!

Quando eu era um jovem engenheiro, perguntava para meus amigos que não eram músicos ou mixadores o que eles gostavam – ou não gostavam – em minhas mixagens. Surpresa! A maioria das respostas foram sobre os vocais.

Obviamente, há muitos elementos de uma mixagem que devem estar lá de modo que ajudem o vocal. Mas, no fim das contas, vocais são a chave para comentários como “o som daquela banda é o melhor que eu já ouvi”.

Um proeminente engenheiro de gravação/produtor me disse, certa vez, que visualizava a mixagem como uma linda planta. Os vocais são as flores que todo mundo olha com admiração, mas sem um sólido sistema de raízes e galhos (bateria, baixo, guitarra), as flores perderiam seu encanto.

Eu uso plugins da Waves para ajudar a encontrar a excelência em minhas mixagens, mas por favor, notem que não estou sugerindo usar todas essas ferramentas de uma vez. Usando com moderação eles seriam como trazer uma arma para uma luta com facas.

Compressores Multi-Banda

Compressor Multi Banda C6 – foto: Waves

Tenho desenvolvido alguns presets para o plugin C6, que eu acredito ser um grande ponto de partida. Experimente-os! Novamente, a intenção é que sejam usados como ponto de partida, e não um “seja tudo, faça tudo.”

Eu procuro ter um preset onde as partes thresholdattackrelease, e ratio de um plugin sejam otimizados para o vocal. Basicamente, o objetivo era ser capaz de aumentar o ganho de qualquer vocal corretamente e, portanto, utilizando o preset como ponto de partida.

Por cerca de um mês, experimentei com diferentes bandas para descobrir isso. Os dois filtros externos flutuantes adicionais destinam-se a ajustar as frequências que são problemáticas, mas os quatro filtros internos devem funcionar muito bem enquanto são configurados.

MaxxVolume

Com o advento dos monitores in-ear, acho que os cantores se tornaram mais dinâmicos através dos anos. Isso pode ser bom e ser ruim. Dinâmicos são partes importantes da música, e são absolutamente o que faz uma mixagem se destacar. Mas, no caso dos vocais, o objetivo é que cada nuance do cantor seja ouvida por cima de uma mix. Isso, muitas vezes, é complicado.

MaxxVolume – foto: Waves

Uma das ferramentas que eu nunca deixo de usar é o MaxxVolume. Para quem não conhece, trata-se de um expander, compressor, limiter gate. Antes de usar esse plugin eu trabalhei com cantores onde eu tinha 20 dB de movimento de fader e era assim durante todo o show.

Se ajustá-lo corretamente, o MaxxVolume equilibra meus vocais diretamente na mix, e com pequenos movimentos de fader ele mantém tudo no lugar. Dessa forma, permite que eu foque em outro elemento da minha mix ao invés de ficar perseguindo o vocal a noite inteira.

Como uso o MaxxVolume?

Uso o preset Vocal Absolute Level como um ponto de partida com o MaxxVolume. O lado Low Level do plugin é o lado “expander” do plugin, o lado High Level é o lado“compressor” do plugin, o Leveler é o “limiter” e o Gate é o “gate”.

Não esqueça de alternar o botão loud e soft acima do metering, que ajusta os tempos de release do compressor. Ajuste o threshold para compressão e expansão e ajuste o limiter para ativar quando o cantor estiver no pico. Serão necessários alguns experimentos da sua parte para obter o resultado desejado, mas você vai saber quando você chegará no ponto certo.

Finalmente, existe o recurso do gate. Espere – um gate no canal do vocal? Acredite, essa é uma ferramenta incrível. Você já solou um canal de vocal principal e percebeu que junto com o vocal está um monte de estranhos ruídos do palco? E quando o cantor está correndo de um lado para o outro no palco? E mais: passando em frente aos amplificadores de guitarra?

Esse gate funciona muito bem para eliminar muitos desses ruídos e pode limpar a mix significativamente. Experimente e ouça suas mixagens com o gate ativado e, também, não ativo. Acredito, portanto, que ficará agradavelmente surpreso.

Vocal Rider

Vocal Rider – foto: Waves

A maioria dos compressores mudam timbres à medida que eles comprimem mais. Mais ganho no input e a maioria dos compressores terá um som bombeado ou um som esmagado. Essa é a mudança de timbre, e para algumas aplicações, é isso que estamos procurando.

Mas pessoalmente, eu não gosto que meus vocais soem comprimidos. Eu quero que ele fique quente na minha mix, mas quando o cantor grita, eu não quero que isso soe como se cada peça eletrônica fosse explodir.

O Vocal Rider faz essa compressão e expansão sem mudança de timbre, que pode ser uma incrível ferramenta se é isso que você esteja procurando. Vocal RiderLive tem algumas ferramentas extras que ajudam muito os engenheiros que mixam ao vivo.

Dois knobs foram adicionados ao topo: Music e Spill. É um plugin para “olhar pra frente”, o que significa que na verdade ele olha para um sinal e pode diferenciar entre um vocal e uma ruído de palco indesejável, proporcionando assim melhor rastreamento da compressão e expansão.

Ajustando a sensibilidade do Spill e do Vocal, você pode ter um resultado muito bom de compressão e expansão apenas onde o vocal está. O knob Music Sensitivity é uma ferramenta adicional que permite o uso do side chain do plugin. Se você alimenta um bus com tudo, exceto vocais nesse side chain, o plugin realmente levará em conta o que comprimir e o que expandir.

Vocal Group/Bus Compression

Bus Compression pode ser um pouco complicado. Considerando como a mix flutua dinamicamente, você pode atingir um compressor de bus insertado muito forte e isso destrói a mix. Sendo assim, além da compressão paralela, uso o bus compressor com moderação.

Anteriormente, notei a mudança de timbre que pode ocorrer com alguns tipos de compressores. Frequentemente é o que estou procurando com um bus compressor. A Waves tem modelado muitos compressores incríveis ao longo dos anos e tem desenvolvido alguns softwares que realmente capturam a essência do equipamento original.

Modelamento de plugin é uma forma de arte. Pegar um equipamento analógico e criar uma versão de software que se parece, age, e o mais importante, soa igual ao analógico é algo muito difícil de se fazer.

Plugins SSL

Um exemplo do que foi citado acima é o plugin de SSL Comp. No final dos anos 70, a Solid State Logic desenvolveu consoles de mixagem de grande formato que todo engenheiro daquela época usava (ou queria usar).

Quase todo disco da minha coleção favorita foi mixado em uma console SSL E Series ou G Series. Esse último inclui um bus compressor na seção master que se tornou o som que todos nós usamos quando mixamos discos. Então, toda vez que eu precisar usar um bus compressor esse é meu plugin favorito.

Falando em presets novamente – você vai ver que esse plugin também inclui presets de alguns dos mais respeitados engenheiros no mercado. Quem não queria as configurações que Steve Lillywhite usa?

Finalmente, no meu bus, eu implanto o L2-Ultramaximizer. É o som do hoje! Todo grande disco nos últimos 10 anos utilizaram o L2. Tem limiter na forma “paredes de tijolos” de uma maneira que nenhum outro limitador pode fazer.

L2-Ultramizimizer – foto: Waves

Minhas mixagens soam grandes e cheias enquanto eu continuo capaz de brincar com as linhas de SPL que tem tido legislações cada vez mais rigorosas.

Uma outra coisa a salientar que muitos ignoram – todos plugins Waves incluem um símbolo de interrogação do lado direito. Clique nele e você vai diretamente para o manual individual. É uma ferramenta muito conveniente que você se torna familiarizado com os plugins.


Ken Van Dutren “Pooch” é engenheiro F.O.H. (Front of House) com mais de 27 anos de experiência. Dentre as principais bandas que mixou ao vivo, estão Iron Maiden, Linkin Park, Justin Bieber, Jay-Z, Guns N’ Roses e KISS.

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2 comentários em “Usando plugins em vocais para mixagens ao vivo

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