Mixagem ao vivo – dicas de quem entende do assunto!

A mixagem ao vivo

Quando falamos de mixagem ao vivo, a primeira coisa que pode passar pela nossa cabeça, é: um técnico trabalhando com um grande console de mixagem, em um grande sistema de sonorização, mixando para uma grande plateia ou em um grande festival de música. A imagem pode ser bonita, porém, a realidade é um pouco diferente.

Chegar a um nível tão alto exige um trabalho duro, não tente pular etapas, elas podem fazer falta em algum momento.

Outra imagem que pode acontecer e que nem todos gostam de lembrar, pode ser: um técnico trabalhando com um pequeno console analógico, em um sistema de sonorização bem simples, mixando para uma plateia bem pequena, em um pequeno teatro, esta imagem pode ser muito mais comum do que todos gostariam.

Na verdade, estas duas imagens tem muito em comum. Apesar de termos equipamentos muito distantes tecnologicamente falando, a teoria é muito parecida. Perceba que a parte teórica que aplica-se à mixagem pode, perfeitamente, encaixar nas duas situações. Tudo o que o primeiro técnico precisa saber, também é necessário para o segundo.

A ideia, é que com os textos deste blog, as pessoas entendam tudo o que acontece tanto na parte teórica quanto prática quando trabalhamos com sistemas de sonorização. Independente da complexidade, tecnologia e objetivo, é importante ter conhecimento técnico e, claro, aquilo que chamamos de “conhecimento artístico”.

Quais os objetivos de uma boa mixagem

Antes de mais nada, é preciso ressaltar que existem alguns objetivos que devem ser atingidos em nosso trabalho. O principal deles é, sem dúvidas, a busca incansável pela inteligibilidade da sua mixagem. Isso significa que todas as pessoas assistindo ao show precisam entender com perfeição e clareza o que está sendo executado no palco!

Devemos a todo o custo obter a atenção da plateia e fazer com que ela entenda tudo o que está sendo reproduzido no palco.

Alguns fatores dificultam alcançarmos uma inteligibilidade perfeita. Por exemplo:

  • Dimensionamento errado do sistema;
  • Má instalação do sistema;
  • Operação ineficiente do sistema;
  • Falta de conhecimento “técnico” e “artístico” do responsável pela mixagem;
  • E outros fatores importantes como uma acústica ruim ou falta de tempo no preparo do sistema.

Para que o técnico de mixagem consiga reproduzir bem o que está sendo tocado no palco, é fundamental que ele conheça o que está sendo reproduzido. Ou seja, ele precisa conhecer bem o som dos instrumentos acústicos (bateria, violão, voz); bem como dos instrumentos amplificados (guitarras, teclados, baixo).

A única maneira de isto acontecer é quando o técnico se dá ao trabalho de ir até o palco e literalmente ouvir instrumento por instrumento. Além disso, entender como é a sonoridade original para depois buscar reproduzi-lo no sistema de sonorização é indispensável. Perceberemos através deste e dos próximos textos que não é tão simples como parece e algumas dificuldades podem surgir. Por isso, é importante estar preparado para lidar com elas.

O que é preciso para ser um bom técnico de mixagem?

É claro que existem diversos tipos de técnicos de mixagem. Aqueles que têm conhecimento técnico mediano; outros que têm conhecimento prático mediano; técnicos veteranos; os que estão acostumados a trabalhar sob pressão; alguns que conhecem muito bem o que será mixado; e, até mesmo, o tipo “despreocupado” que não se interessa em aprender realmente o que está fazendo ali.

Diante de tantos tipos, o que é preciso para ser um bom técnico de mixagem? A princípio, conhecimento técnico suficiente para entender como todos os equipamentos ao seu redor funcionam. Isso é importante mesmo que não vá trabalhar diretamente com todos eles. Outro ponto é o conhecimento teórico, fundamental para evitar erros básicos que possam afetar no resultado de seu trabalho.

A formação teórica dos técnicos de mixagem, assim como outros profissionais que trabalham em diferentes áreas do áudio ainda é muito reduzida no Brasil. Poucos são os que tem acesso a um bom material e a uma boa formação, muito é aprendido na base da tentativa e erro, o que nem sempre é o melhor caminho.

Não se iluda, você não vai chegar a lugar nenhum sem conhecimento teórico.

Muitas vezes o técnico se pega em situações nas quais ele não tem nem o domínio e nem a segurança para trabalhar da maneira correta e isto certamente é refletido no som final da sua mixagem, isto não acontece somente com os iniciantes, muitos técnicos mais experientes podem cair em armadilhas das quais tem dificuldades de sair.

Mixagem ao vivo: iniciantes e veteranos

Técnicos que estão começando agora e, portanto, não se preocupam em passar por etapas de uma carreira profissional, precisam viver algumas situações antes de encarar um desafio maior. Dedicar-se para adquirir conhecimento teórico e prático até alcançarem níveis mais altos faz toda diferença. Para quem deseja se tornar um profissional reconhecido, essas etapas não podem ignoradas.

Da mesma forma, técnicos mais experientes devem sempre ter a preocupação de se manterem atualizados. Essa é uma profissão na qual a tecnologia está sempre causando mudanças, em muito pouco tempo um profissional pode ficar para trás. E, depois, o processo para resgatar o tempo perdido pode demorar mais do que imagina, além de comprometer a carreira do profissional.

Quando recorrer a um técnico de mixagem ao vivo?

A resposta ideal, seria: em todos os momentos! Sempre que houver um sistema de sonorização e um programa para ser tocado nele, vamos precisar de um técnico de mixagem. Ademais, a importância deste profissional irá variar de acordo com o tamanho do evento, do sistema, do programa, etc…

Muitas vezes, o técnico do sistema (responsável pelo dimensionamento, instalação e preparação do sistema) acaba por necessidade ou obrigação, fazendo as vezes do técnico de mixagem. O problema é que são duas funções diferentes e demandam atenções simultâneas. Resultado: essa dupla jornada pode se tornar um grande erro.

Nos primórdios da indústria de shows, as empresas de sonorização forneciam os próprios técnicos para a mixagem das bandas. Sendo assim, ficou claro que estes técnicos por melhor que fossem, não poderiam se dedicar exclusivamente a um artista ou outro dentro de um grande evento, além de cuidar das necessidades da empresa.

Em pouco tempo, os artistas maiores já estavam levando o seus próprios técnicos, como já levavam seus próprios músicos. Assim, eles se garantiam que existiria um profissional para cuidar exclusivamente do seu som. Claramente, isso levava a bons resultados ao fim das apresentações do artísticas e, logo, se tornou padrão.

Quanto mais profissionais envolvidos no trabalho, maior será a divisão de funções e melhor será o resultado.

Por vezes é possível medir o tamanho da banda e o seu profissionalismo levando em consideração a quantidade de profissionais que ela emprega em seus shows. Isso pode variar entre um e uma dezena de técnicos, nas mais variadas funções, dependendo da demanda.

Como nos tornamos um bom técnico de mixagem?

Ninguém se torna um bom técnico de mixagem da noite para o dia. Considerando esse fato, um dos objetivos deste blog é fazer como que os profissionais que desejam trabalhar com mixagem ao vivo possam clarear as ideias e saber o que acontece no nosso meio.

Em suma, um bom técnico de mixagem deve sim entender da parte teórica do áudio, de acústica e eletricidade. Porém, tão importante quanto, deve ter o conhecimento musical, artístico, bem como experiências,  capacidade de interagir com outros técnicos, com os músicos e com os artistas com os quais ele trabalha.

Não se vira uma lenda do áudio da noite para o dia, carreiras bem sucedidas podem levar décadas para se consolidarem.

 

Fique atento! Em breve voltaremos com mais informações relevantes, abrangendo os aspectos teóricos, práticos e artísticos sobre mixagem ao vivo.

 

 


Renato Muñoz

Trabalhando com áudio desde o início da década de 1990, primeiro em empresas de sonorização e logo depois em estúdios, vem nestes últimos quase trinta anos dividindo o seu tempo entre estúdios de gravação, mixagem de shows ao vivo e também mixando áudio para TV em festivais como Rock in Rio e Lollapalooza , nos últimos quinze anos fazendo o PA banda mineira Skank.
Paralelamente a isso, vem trabalhando nos últimos vinte anos, coordenado e aplicando cursos e treinamentos relacionados a teoria e pratica de áudio profissional, principalmente voltados para a mixagem de shows.

 

Descubra tudo em primeira mão!

Assine nossa newsletter e seja o primeiro a receber todas as novidades da Audio Seminars, além de conteúdos exclusivos no seu email.

Nós somos totalmente contra spam. Powered by ConvertKit

3 comentários em “Mixagem ao vivo – dicas de quem entende do assunto!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *