Quando se preocupar com a fase em uma mixagem

Muitas dúvidas giram em torno de quando se preocupar com a fase em uma mixagem, por isso trouxemos algumas dicas para te ajudar nesse aspecto. Para começar, alguns efeitos indesejados são causados por problemas de fase e polaridade, como perda de grave ou comb filter, e não tem equalizador que resolva. Então é bom “gastar” um pouco de tempo fazendo um pente fino nos tracks procurando por esses problemas antes mesmo de começar a mixar.

Se você ainda tem dúvida sobre o que é inversão de polaridade e deslocamento de fase leia esse artigo do Thiago Borges aqui no blog da Audio Seminars.

Interações de fase sempre vão ocorrer quando temos mais de um track com ondas muito parecidas. E isso pode acontecer em 3 situações:

Quando se preocupar com a fase em uma mixagem

1- Quando temos mais uma fonte de captação de um mesmo evento sonoro.

Veja alguns exemplos:

  • Bateria e percussão com microfones na pele e microfones de sala;
  • Amplificador de guitarra com mais de um microfone;
  • Baixo com microfone no amplificador e sinal direto em linha;
  • Reamp de guitarra a partir de um sinal de linha somado ao timbre original.

2- Quando duplicamos um track e aplicamos um processamento em somente um dos tracks

Dependendo do tipo de processamento, você pode ganhar um comb filter ou até mesmo uma inversão de polaridade. Pode ser um pitch shifter ou um simulador de amplificador ou um filtro em alguma frequência específica.

Esse procedimento de duplicar um track e processar somente um deles não é muito comum, mas se você fizer isso um dia, lembre-se que pode acontecer um deslocamento de fase ou uma inversão de polaridade, e pode ser esse o motivo do efeito não ter ficado tão legal.

3- Quando temos ondas de fontes diferentes mas mesmo assim estão alinhadas em algumas frequências, principalmente nos graves.

Por exemplo:

  • Bumbo ou caixa originais da bateria somados a um sampler de reposição;
  • Um arranjo em uníssono de um baixo elétrico com baixo synth.
Quando se preocupar com a fase em uma mixagem

Quando se preocupar com a fase em uma mixagem

E agora que sabemos onde estão os problemas, como resolver?

Cada situação pode ter um procedimento diferente. Mas uma coisa é igual pra todas: o julgamento final deve ser sempre pela audição no contexto da música, e não pelo gráfico da onda.

No caso da bateria eu não me preocupo em alinhar os microfones. Até porque seria impossível alinhar tudo já que são várias peças em lugares diferentes. A distância entre os microfones e a diferença de timbre entre eles é grande o suficiente pra isso não ser um problema. Inclusive o atraso de alguns microfones pode ser interessante pra dar a sensação de ambiência. Em raras ocasiões eu mudo o alinhamento entre os microfones de over ou de sala. Mas o que eu sempre faço é testar a inversão de polaridade. Começo pelos microfones da caixa e vou adicionando os outros e testando. E durante a mixagem isso pode mudar dependendo do compressor, equalizador e volume de cada peça.

No caso de um amplificador de guitarra com vários microfones não é difícil. Geralmente os sinais estão próximos e com uma forma de onda parecida. É fácil perceber no gráfico um atraso ou uma inversão de polaridade. Mas nem sempre você precisa alinhar perfeitamente os sinais. Pode usar o atraso de um microfone pra alterar o timbre a seu favor.

A situação fica mais difícil no caso de um baixo elétrico limpo em linha somando com um drive no amplificador. A diferença de timbre deixa os formatos de onda bem diferentes. Isso dificulta a análise pelo gráfico. Nesse caso a gente pode testar ouvindo. E dependendo da equalização e volume de cada canal, o atraso do microfone em relação ao DI pode não ser um problema.

Um resumo de quando se preocupar com a fase em uma mixagem:

Procure por ondas com a mesma origem ou com o formato muito parecido. Quanto mais parecido maior a chance de ter problemas, mas também é maior a chance de resolver esses problemas com alinhamento e inversão de polaridade.

Ricardo Ponte

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